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O telefone da casa começa a tocar:

  • Amor, se for pra mim, diz que não to.

  • Tá bom.

Creuza atende o telefone:

  • Alô, boa noite.

  • Oi, Creuza, Tudo bem? Como vão as crianças? O Zé está?

  • Não, ele acabou de sair. Quer deixar recado?

Zé, curioso, pergunta: “Amor, quem é?” e Creuza, com a mão direita tampando o telefone, responde: “É o Abgneu!”

      • Passa pra cá!

      • Fala, Abgneu! Que que tu manda?

      • Porra, Zé, tu é foda! Nunca atende esse telefone!

      • Foi mal, tá pra vibrar e nem senti! E amanhã, tudo certo?

      • Certíssimo! Liguei para confirmar.

      • Beleza, então! Te encontro na Olegário, abraço!

A discussão

Creuza, curiosa como sempre, pergunta:

  • O que ele queria?

  • Ah, o de sempre! Confirmar nosso choppinho de 4a!

  • De novo? Você não tem tempo nem pra mim nem pras crianças! É: trabalho, cama, cama trabalho e as 4as, trabalho, bar, e às vezes, nem cama! Esse é o exemplo que você quer dar para as crianças?

Eis que Zé sente que alguém está lhe espiando e quando olha, vê Abílio encostado na quina da parede, observando os dois discutirem. Zé, rapidamente, mexe as sobrancelhas em forma de um sinal para Creuza parar de gritar e perceber que seu filho mais novo está na sala. Neste momento também surge o Juninho, o mais velho.

    • Junior, leva seu irmão para o quarto, está tudo bem, estamos apenas tendo uma conversa de adultos – Diz o pai.

O jogo

Zé chega na Olega e liga pra Abgneu:

  • Cheguei, cade tu?

  • To descendo!

Ao observar a rua, vê que o bar mais movimentado é o Seu Bar, e manda uma mensagem pra Abgneu: “Chega ai no Seu Bar, to aqui”. Quando Abgneu aparece no bar, encontra o Zé, numa mesa com um balde contendo três Originais, já pega a garrafa de 600ml e enche ambos os copos. Ao esperar pelo segundo balde, Zé começou a falar do casamento, parando de hora em hora, quando o Botafogo corria risco de levar ou fazer o gol. No intervalo do jogo, Abgneu diz:

  • Mas está tão ruim assim? Não vai se separar, por se separar, heim? Pensa nas crianças!

  • Pois é, Abgneu. Estresse todo dia, e só motivo bobo. Vivo estressado! Creuza já me ameaçou com divórcio e tudo!

A reconciliação

Aos 49 do segundo tempo, aconteceu o impensável.

  • Puta que pariu, Botafogo tomou gol!

  • Também, o Osvaldo retranqueiro parece que tem medo! Só fez merda!

No fim da terceira garrafa de Original, do terceiro balde, Abgneu solta: “Se a Neuza pedir o divórcio, eu mato meus filhos e me suicido depois! Melhor eles em outra vida comigo, do que nessa com aquela bruxa!”

Já em casa, às 3h da manhã, Zé encontra um bilhete em cima de sua cama:

José, eu tentei, tentei muito. Pedi pra você mudar, mas parece que entra em um ouvido e sai no outro. Aturei isso por muitos anos, mas hoje foi o estopim. Te esperei até 2h da manhã e nada de você chegar. Peguei as crianças e vim para casa de praia. Amanhã a gente dá entrada no divórcio”.

Zé, entra correndo no seu BMW, sai cantando pneu e acelera em direção a BR-101. Creuza, terminando de tirar as malas, toma um susto:

  • José, o que você está fazendo aqui?

  • Cade as crianças?

  • Estão lá em cima.

Cinco minutos depois, ouve-se três tiros. Juninho e Abilio com tiro no coração e Zé com tiro na cabeça.

ps: Escrevi esses mini contos como exercício de escrita e fazem parte de uma série chamada: Aconteceu! Esse foi o primeiro.

ps2: Não sei como usar o travessão de forma prática aqui no WordPress. Alguém sabe? Não vale ter que clicar no Caracteres especiais ou Copiar e colar o travessão toda vez…

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