Tags

, , , , , ,

 

Quando passei pela barraquinha que vende salada de frutas, a fila estava gigantesca, então resolvi dar uma volta e tentar a sorte depois.

Passados 20 minutos, lá estava eu na fila. Era o segundo. E passados 2 minutos, era o primeiro.

— Boa tarde, senhor. Qual você vai querer?

— Quero a de 5 reais, por favor. Completa, sem laranja.

Enquanto o jovem, que aparentava ter seus 17 anos, preparava a minha salada de fruta, chega uma senhora, bem senhorinha, um pouco corcunda e usando óculos escuros. Ela pega o bolo de aipim, vendido lá também, vira – sem saber ou sabendo – em direção ao Dono da barraquinha, Seu bigode, e diz:

— Me dá esse bolo?

(E assim surge aquele silêncio constrangedor pré vai dar merda)

— Senhora, tem que falar com o patrão e ele não se encontra.

— Mas é só um bolinho de aipim…

— Tá bom, senhora, pode levar!

Todo mundo que tava na fila, inclusive eu e o adolescente, tínhamos parado de respirar pra observar a situação se destrinchar, e voltamos a respirar aliviados quando o Seu bigode, uma pessoa boníssima, aceitou o pedido da senhora, bem senhorinha.

Em agradecimento, a senhora, bem senhorinha, olhou pra gente, deu um sorriso sapeca e lepo! Meteu a mão no dito cujo do Seu bigode e foi embora, rindo à beça.

Foi o bafafá da barraca por quase 5 minutos. Uns rindo, outros incrédulos, outros querendo enfiar a cabeça no chão (Seu bigode), e já não se via a senhora, bem senhorinha, naquela multidão.

Anúncios